Apetece-me escrever, porque sim e porque se calhar já o devia ter feito antes ao invés de agora o fazer com as lágrimas nos olhos estaria a fazê-lo com o coração menos apertado. Gostava de um dia vos poder contar a história, poder recitar toda a roda que é esta minha vida, sinto-me quase incapaz de ganhar inspiração ou deixar as mãos fluir com o pensamento, muito tempo sem escrever revela muito tempo a pensar.
Nunca tive um motivo coerente para escrever ou recitar sentimentos e emoções apenas o faço para extrair um pouco de mim, levar aquilo que mais ninguém é capaz de absorver.
Sempre sonhei ser escritora e passar noites em claro em volta de livros papéis e sonhos perdidos, sonhos perdidos são aqueles pelos quais ainda não lutei ou fui capaz de enfrentar... Nunca consegui compreender realmente o contra-senso que se habita em mim aquela contrariedade do ser e não ser ou apenas ser de mais. Demais sempre fui, demasiado eu para um mundo em que as pessoas são apenas pessoas.
Sentir sempre foi outro ponto no qual não me foque, tal como quase tudo na minha vida, simplesmente não me foquei. Por vezes sou consumida pela onda de emoções que somos capazes de sentir e transmitir, fui gerindo essas sensações em torno de algum ser e nunca em torno daquilo que deveria ter sido: eu. Estar comigo mesma fez-me perceber o quão bom é não precisar de alguém para ser feliz, como amarmo-nos nos faz crescer e ver a verdadeira forma das coisas. Caio em erro e levanto-me não por ser forte mas sim por acreditar naquilo que sou capaz, da minha força interior porque todos nós, no fundo, somos capaz de tudo, basta acreditar.
Senti que deveria escrever isto, agora, aqui... e chamei-lhe isto porque continuo sem saber o que é...